Convite para defesa de dissertação
INTRODUÇÃO: A disfunção temporomandibular (DTM) pode ser derivada de várias alterações clínicas na articulação temporomandibular, as quais envolvem a musculatura mastigatória, a própria articulação com limitações dos movimentos mandibulares, ruídos, dificuldades funcionais e sintomas otológicos, entre eles zumbido, plenitude aural, hipersensibilidade a sons. Apesar das queixas otológicas a timpanometria realizada com o tom teste de 226Hz não detecta alterações na orelha média em indivíduos com DTM. A timpanometria de banda larga (TBL) avalia a absorvância da orelha média de 226 a 8000Hz, permitindo verificar a influência dos fatores de massa e rigidez na propagação do som pelo sistema tímpano ossicular. OBJETIVO: Estudar a absorvância acústica da orelha média de 226 a 8000Hz em indivíduos com DTM e comparar os resultados com grupo controle. MÉTODO: Estudo observacional, descritivo, de delineamento transversal realizado numa Clínica Integrada de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial. Foram constituídos dois grupos, a saber: grupo estudo composto por indivíduos com diagnóstico de DTM e grupo controle composto por indivíduos sem DTM. Em ambos os grupos os participantes apresentaram audiometria tonal liminar e imitanciometria (curva timpanométrica com 226 Hz e reflexos acústicos) sem alterações. Os participantes foram submetidos à TBL de 226 a 8000Hz, sendo analisados a frequência de ressonância (FR), o pico timpanométrico e a absorvância acústica da OM. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial. RESULTADOS: Não houve diferença estatisticamente significante e nem tamanho de efeito relevante com relação à FR e pico timpanométrico quando comparados os grupos. A FR média foi de 911Hz e 946Hz para os grupos estudo e controle respectivamente. A absorvância acústica foi menor no grupo estudo para as frequências de 3175, 4000, 5040 e 6350Hz e maior para 8000Hz quando comparado ao grupo controle. Houve associação entre a FR da OM e as queixas de otalgia e dor na ATM. Houve associação entre a absorvância da OM e as queixas de plenitude aural e zumbido independentemente da frequência do estímulo sonoro apresentado. Houve associação entre a absorvância da OM e as queixas de hipersensibilidade a sons, cefaleia e dor na ATM, na dependência da frequência do estímulo sonoro apresentado (acima de 794Hz). CONCLUSÃO: Por meio da TBL foi possível verificar que indivíduos com DTM apresentam diferenças na absorvância acústica da OM nas frequências acima de 3175Hz. A FR e o pico de absorvância não diferem. Existe associação entre presença de queixas cocleovestibulares e álgicas com a FR e a absorvância da OM.
Palavras-chave: Síndrome da Disfunção da Articulação Temporomandibular; Audição; Testes de Impedância Acústica.